quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mania chata de ler muitos livros de uma vez finalmente serviu pra alguma coisa!

Castanheda tem de ser lido de dois em dois livros.

O Carlos Castañeda (ou Castanheda, ou Castaneda pros estadunidenses) descreveu seus encontros com um índio que ele chama de Don Juan Matos numa tentativa de escrever uma tese de antropologia explicando o relacionamento de um xamã com drogas alucinógenas.

Ele escreveu dois manuscritos preliminares que a comunidade academica da universidade da califórnia rotulou de "apenas passável", e pressionou até decidirem publicarem. Foram

  • The Teachings of Don Juan: A Yaqui Way of Knowledge (1968), traduzido como A Erva do Diabo - As experiências indígenas com plantas alucinógenas reveladas por Dom Juan (o que prova a qualidade das traduções de títulos para o portugues).

  • A Separate Reality: Further Conversations with Don Juan (1971), traduzido como Uma Estranha Realidade.


Deixando detalhes da tradução de lado (um livro de Antropologia, Filosofia ou mesmo Ocultismo tradicional pode ser arruinado por essas pequenas trocas como "Separada" por "Estranha"), os livros tem um estilo no mínimo diferente. A surpresa foi que se popularizaram demais entre comunidades alternativas, ocultistas pós-hippies e academicos rebeldes. O barulho foi tanto que a universidade se viu forçada a aceitar os manuscritos como tese de doutorado, mas para evitar constrangimentos caso a popularidade dos manuscritos caísse, eles afastaram Castanheda da universidade.

Só li a introdução do Reality, o Teachings até metade do capítulo 3 (são 11 capítulos de entradas de diário e mais uma "análise estrutural") e o terceiro livro, Journey to Ixtlan, até o capítulo 13 (são 20), mas dá pra perceber como um autor muda enquanto está na universidade e também de onde Paulo Coelho roubou 90% de suas idéias.

Os dois primeiros são apresentados na forma de entradas de diário, mas o próprio Carlos afirma só anotar os eventos no diário dois ou tres dias depois do ocorrido, para evitar excessos emocionais. Dá pra ver claramente que ele hesita em detalhar qualquer experiencia que possa ser, mesmo remotamente, descrita como espiritual em prol de descrever suas alucinações regadas a Peyote.

Já no terceiro, os alucinógenos são totalmente omitidos (ou descaradamente enfeitados) e ele detalha as emoções que sentiu e as aventuras que viveu, sem o auxílio de drogas, na tentativa de seguir o treinamento com Don Juan e se tornar um brujo.

O divertido é comparar a descrição do mesmo dia dada em cada livro. Aparentemente não são da mesma pessoa, sendo o Carlos do terceiro livro um homem em busca de autoconhecimento e de superar traumas com MSO (Membros do Sexo Oposto), enquanto o do primeiro era um antropólogo pedante. E essa opinião não é minha, um tal de Richard deMille escreveu um livro inteiro (Castaneda's Journey) só pra dizer isso mas concluir que o livro ainda é válido como livro de auto-ajuda!

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